quinta-feira, 27 de agosto de 2009

OS PORTAIS DA CRIAÇÃO





















As estrelas nascem em regiões do espaço onde existe uma grande quantidade de gases e poeira. O universo é quase todo vazio mas, aqui e acolá, existem amplas regiões onde a poeira cósmica se acumula. A foto a baixo mostra uma dessas regiões vista pelo telescópio Hubble, a Nebulosa Águia. Esse é um típico berçário de estrelas.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

400 ANOS DO TELESCÓPIO DE GALILEU GALILEI



Galileu Galilei

“Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzo Galilei, florentino, de setenta anos de idade, intimado pessoalmente à presença deste tribunal e ajoelhado diante de vós, Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais Inquisidores-Gerais contra a gravidade herética em toda a comunidade cristã, tendo diante dos olhos e tocando com as mãos os Santos Evangelhos, juro que sempre acreditei, que acredito, e, mercê de Deus, acreditarei no futuro, em tudo quanto é defendido, pregado e ensinado pela Santa Igreja Católica e Apostólica. Mas, considerando que (... ) escrevi e imprimi um livro no qual discuto a nova doutrina (o heliocentrismo) já condenada e aduzo argumentos de grande força em seu favor, sem apresentar nenhuma solução para eles, fui, pelo Santo Oficio, acusado de veementemente suspeito de heresia, isto é, de haver sustentado e acreditado que o Sol está no centro do mundo e imóvel, e que a Terra não está no centro, mas se move; desejando eliminar do espírito de Vossas Eminências e de todos os cristãos fiéis essa veemente suspeita concebida mui justamente contra mim, com sinceridade e fé verdadeira, abjuro, amaldiçôo e detesto os citados erros e heresias, e em geral qualquer outro erro, heresia e seita contrários à Santa Igreja, e juro que no futuro nunca mais direi nem afirmarei, verbalmente nem por escrito, nada que proporcione motivo para tal suspeita a meu respeito."
Era o dia 22 de junho de 1633. Numa sala do convento dominicano de Santa Maria Sopra Minerva, em Roma, encerrava-se um dos episódios mais controvertidos da história: o julgamento de Galileu Galilei pela Santa Inquisição, sua condenação e subseqüente renúncia à crença de que a Terra gira em torno do Sol. Além da retratação, o Tribunal do Santo Oficio impôs a Galileu a pena de prisão domiciliar perpétua e a repetição, semanal, por três anos, dos sete salmos penitenciais.
Lido o veredicto e cumprida a cerimônia de abjuração pública (ao término da qual, segundo contam alguns, Galileu teria murmurado ironicamente: "eppur si muove " - "e, no entanto, ela se move"), o sábio recolheu-se à residência do grão-duque da Toscana, seu velho amigo, onde começou a cumprir a sentença. Pouco depois, alojou-se por algum tempo no palácio do arcebispo Piccolomini, em Siena, mudando-se finalmente para Florença, onde passaria seus últimos anos de vida.
Este período final foi bastante penoso para o cientista, pois, em 1638, a cegueira total o atingiu. Em carta a um amigo, desabafava seu sofrimento: "Ai de mim! O vosso amigo e servo Galileu tem estado no último mês desesperadamente cego, de modo que este céu, esta Terra, este Universo, que eu, por maravilhosos descobrimentos e claras demonstrações, alarguei cem mil vezes além da crença dos sábios da antigüidade, se reduzem, daqui por diante, para mim, a um diminuto espaço preenchido pelas minhas próprias sensações corpóreas".
Rodeado de amigos e discípulos, Galileu morreria a 8 de janeiro de 1642. Seus companheiros quiseram erguer um monumento em sua homenagem, mas o papa Urbano VIII vetou a proposição, alegando que ela seria um mau exemplo para os fiéis, visto que o morto "dera origem ao maior escândalo de toda a cristandade".
Suas obras foram incluídas no Index dos livros proibidos pela Igreja, juntamente com as de Kepler e Copérnico. Tais publicações seriam liberadas somente em 1822, mas as idéias que defendiam divulgaram-se muito antes.
Galileu Galilei nasceu em Pisa, a 15 de fevereiro de 1564, filho de Vincenzo Galilei e Julia Ammanati di Pescia. O pai, membro empobrecido da pequena nobreza, era músico e mercador, homem de cultura respeitada e um espírito contestador das idéias vigentes. Entretanto, Vincenzo desejava uma sólida posição social para seu filho, e por isso induziu-o à carreira médica.
Assim, após completar seus primeiros estudos em Pisa e na escola dos jesuítas do mosteiro de Vallombrosa, perto de Florença, com apenas dezessete anos, Galileu ingressava na Universidade de Pisa como estudante de Medicina. Entretanto, já no segundo ano do curso - que jamais concluiu, por falta de interesse pela matéria - ele descobriu a Física e a Matemática, realizando sua primeira observação importante: a oscilação de um pêndulo apresenta uma freqüência constante, independentemente de sua amplitude (quando esta é muito pequena). Na mesma época, inventou o pulsillogium, espécie de relógio utilizada para medir a pulsação.
(Galileu observa a oscilação de um lampadário na catedral de Pisa)
O encontro de sua verdadeira vocação científica levou-o a abandonar a universidade, apesar do descontentamento do pai. Voltando para Florença, em 1585, dedicou-se por conta própria aos novos estudos, mantendo um contato permanente com os intelectuais da cidade que freqüentavam a casa paterna, o que enriqueceu bastante sua formação filosófica e literária.
Prosseguindo suas experiências, notadamente no campo da mecânica aplicada, Galileu inventou uma balança hidrostática, sobre a qual escreveu um tratado, que terminou por atrair a atenção do grão-duque da Toscana, Fernando de Medici. Isto valeu-lhe, em 1589, a nomeação para lente de Matemática da Universidade de Pisa. Três anos mais tarde, o cientista transferiu-se para Pádua, onde, ainda sob a proteção de Fernando de Medici, assumiu a Cátedra de Matemática.
Nesta cidade, Galileu viveu dezoito anos, e aí realizou a parte mais importante de sua obra: a formulação das leis do movimento dos corpos em queda livre e dos projéteis, e a defesa do sistema heliocêntrico do Universo. Em ambos os casos, ele investiu contra as doutrinas oficiais da época - que se baseavam nas concepções do filósofo grego Aristóteles -, atraindo, com isso, a ira dos doutores da Igreja.
Aristóteles viveu entre 384 e 322 a.C. Segundo ele, a Terra encontra-se imóvel no centro do Universo, rodeada por nove esferas concêntricas e transparentes. Nessas, a camada mais interna é formada pela Lua, seguida pelas esferas dos planetas Mercúrio e Vênus, e, depois, pela do Sol, Marte, Júpiter e Saturno. A oitava região corresponde às estrelas e a última ao Primeiro Motor - Deus - que imprime movimento a todo o sistema.
No mundo de Aristóteles, cada coisa tem seu lugar, onde deve permanecer. Quando, por qualquer razão, algo se desloca de sua posição "natural", tende a reassumi-la imediatamente, animando-se de um "movimento natural": uma pedra, se elevada do chão, nele recairá, pois esse é o seu lugar. E isso, no entanto, não se aplica apenas aos objetos inanimados. Os pássaros voam e os peixes nadam porque esta é a sua natureza. E, o que é mais importante, eles existem exatamente para voar e nadar.
Esses exemplos também ilustram uma das idéias fundamentais da doutrina de Aristóteles: a da existência de causas finais no Universo, que faz com que todas as coisas sempre atuem visando a atingir determinados objetivos.
Durante muito tempo, essa filosofia constituiu um entrave ao desenvolvimento científico, pois suas explicações limitavam-se a postular um fim apropriado para cada fenômeno, sem verificar como ele ocorria.
No início de 1543 foi publicado, em Nuremberg, um livro de autoria do cônego prussiano Nicolau Copérnico, intitulado De revolutionibus orbium coelestium. Suas primeiras vinte páginas continham uma síntese da tese revolucionária defendida pela obra: o Universo ocupa um espaço finito, limitado pela esfera das estrelas lixas, ao centro do qual encontra-se, imóvel, o Sol. Ao redor deste astro giram, sucessivamente, os planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno, enquanto a Lua se move em torno da Terra. Para o autor, a aparente revolução diária do firmamento terrestre é uma conseqüência do movimento de rotação da Terra em torno de seu próprio eixo.
Assim, Copérnico retirou a Terra do centro do mundo, colocando em seu lugar o Sol. Essa idéia ousada, no entanto, apesar de contrariar frontalmente os cânones oficiais, não levantou imediatamente a ira da Igreja, pois o sistema heliocêntrico de Copérnico, além de pouco divulgado, explicava os movimentos celestes de forma pouco satisfatória.
De fato, Copérnico, seguindo a tradição, não conseguira se libertar da tirania do movimento circular; e, assim, também fora obrigado a introduzir rodas e mais rodas em seu Universo para que ele funcionasse. Além disso, o prefácio do De revolutionibus orbium coelestium trazia a seguinte observação tranqüilizadora: "Por favor, não tomeis isto a sério. É apenas um gracejo, destinado exclusivamente a matemáticos e, na verdade, muito improvável".
A tempestade que se abateria sobre o sistema heliocêntrico, "o maior escândalo da cristandade", somente ocorreu três quartos de século mais tarde, com o processo de Galileu. Entretanto, o germe fora lançado, e, no decorrer desse período, o heliocentrismo foi ganhando um número cada vez maior de adeptos, entre os quais se destacava a figura de Johannes Kepler.
Kepler fora assistente do dinamarquês Tycho Brahe. Os dados observados por este, no decorrer de toda uma existência dedicada à astronomia, permitiram a Kepler concluir, juntamente com Copérnico, que o Sol, e não a Terra, é que se encontra no centro do Universo; e - o que é mais importante que as órbitas dos planetas são elipses e não circunferências. Com isso, não só eliminava a principal objeção astronômica à hipótese de Copérnico, mas golpeava de morte o dogma circular, arrastando consigo uma parte do já vacilante edifício da cosmologia aristotélica. Contudo, os cálculos puramente astronômicos de Kepler não foram o elemento decisivo para produzir a grande revolução que conduziria a uma imagem completamente nova do Universo.
Essa tarefa coube a Galileu Galilei. Ao contrário do astrônomo alemão, que sempre viveu em países protestantes, fora do alcance da Inquisição, o cientista italiano pagou caro a sua audácia.
Tudo começou em 1609, com uma viagem de Galileu a Veneza, onde ouviu falar de um aparelho, construido por um artesão holandês, que fazia os objetos parecerem maiores e mais próximos: o telescópio. De volta a Pádua, conseguiu adquirir um desses instrumentos, com o qual passou a investigar o céu.
Em março de 1610, publicou um livro de apenas 24 páginas, intitulado Sidereus nuncius (Mensageiro das Estrelas), nele descrevendo algumas de suas observações com a luneta. Em primeiro lugar, verificara que "a superfície da Lua não é perfeitamente lisa, livre de desigualdades, nem exatamente esférica, como considera uma extensa escola de filósofos com respeito à Lua e aos demais corpos celestes; pelo contrário, está repleta de irregularidades, é desigual, cheia de cavidades e protuberâncias, tal qual a superfície da própria Terra, diversa por toda parte, com montanhas elevadas e vales profundos". O Mensageiro das Estrelas prosseguia narrando a descoberta de milhares de outras estrelas, além das observáveis a olho nu; e trazia no término uma revelação sensacional: "Fica a questão que se me afigura ser tida como a mais importante desta obra, isto é, a de eu revelar e publicar ao mundo o momento da descoberta e observação de quatro planetas nunca vistos, desde o começo do mundo até nossos dias". Galileu havia descoberto as quatro luas de Júpiter.
O livro contrastava vivamente com as obras de seus contemporâneos, que eram escritas em termos pomposos e repletas de palavreado vazio. O Mensageiro dasestrelas foi redigido num estilo direto, limitando-se a informar o indispensável. Além disso, ele atacava velhas crenças, e seu impacto sobre os meios acadêmicos foi imediato e fulminante: as montanhas e vales da Lua afirmavam a semelhança entre a matéria terrestre e a celeste; o insuspeitado número de estrelas, antes invisíveis, tornou absurda a noção de que elas haviam sido criadas para o deleite dos homens, uma vez que só podiam ser vistas com o auxílio de um aparelho especial; as luas de Júpiter, apesar de não provarem que Copémico tinha razão, abalavam a antiga idéia de que a Terra é o centro em tomo do qual tudo gira.
A reação dos colegas de Galileu ilustra a impertinência de suas descobertas: uns recusaram-se a utilizar a luneta, alegando falta de veracidade nas afirmações do cientista italiano; outros, mesmo constatando com seus próprios olhos a forma do relevo lunar e os satélites de Júpiter, explicavam essa visão como produto de algum fenômeno atmosférico, ou mesmo de uma impostura.
Mas Galileu tinha mais novidades a comunicar aos cientistas da época. Assim, em agosto de 1610, ele anunciou uma nova descoberta, que divulgou nos meios intelectuais: "Observai o planeta mais alto (Saturno) em forma trigêmea". Na realidade ele avistara os anéis desse astro, mas, como seu telescópio era pouco potente, julgou que Saturno possuísse dois satélites.
Um mês depois, ele voltou a sacudir seus contemporâneos ao proclamar a descoberta do planeta Vênus. Afirmou que Vênus apresenta fases, como a Lua, e que estas variam desde a foice até o disco total (e vice-versa). Para Galileu, tal fato vinha confirmar a tese de que Vênus e os demais planetas giram em torno do Sol.
As descobertas astronômicas de 1610 tornaram-no famoso, e, em 1611, ele foi designado matemático da corte do duque da Toscana, em Florença. Nessa cidade, viu-se envolvido, em 1613, em uma controvérsia sobre a prioridade da descoberta das manchas solares, que ele reclamava para si, mas cuja autoria também vinha sendo reivindicada por outro cientista, um influente padre jesuíta alemão, Christoph Scheiner. A disputa, que logo enveredou pelo terreno teológico, uniu toda a ordem dos jesuítas contra Galileu, que teve, então, seu primeiro contato com a Inquisição: esta, pela pessoa do cardeal Roberto Bellarmino, proibiu-o, semi-oficialmente, de divulgar as idéias de Copérnico, que defendera no decorrer da polêmica e em ocasiões posteriores. Era a primeira vez que a Igreja fazia alguma restrição aberta à teoria do heliocentrismo; mas, daí para a frente, a reação eclesiástica seria cada vez mais intensa.
Durante os sete anos seguintes, Galileu não publicou mais nada em seu próprio nome. No entanto, como o silêncio lhe era mais penoso do que o receio das represálias da Igreja, em 1623 ele acabou editando um novo livro: Il Saggiatore (O ExPerimentador). A obra continha uma exposição dos princípios que devem regular o raciocínio científico e o processo experimental, defendendo o ceticismo do pesquisador perante as afirmações aparentemente definitivas. Além disso, Galileu esboçava uma teoria que alcançou notável importância na história do Pensamento humano: há uma diferença, na natureza, entre as qualidades primárias (como posição, número, formato e movimento dos corpos) e as secundárias (como cores, cheiros e gostos). Estas últimas existiriam apenas na consciência do observador.
Mais nove anos se passaram, até que Galileu publicasse seus Diálogos sobre os Dois Grandes Sistemas do Mundo, que causariam sua condenação como "persona non grata" para a igreja. Escrito sob a forma de uma conversa entre três pessoas, o livro confrontava as cosmologias de Ptolomeu e Copérnico. Nessa obra, Galileu, com seu estilo claro e incisivo, faz Salviati, que simboliza ele próprio, destruir metodicamente os argumentos tradicionais expressos por Simplício.
Os Diálogos logo alcançaram grande notoriedade. Mas desta vez Galileu fora longe demais, e a pesada mão da Igreja abateu-se sobre ele, iniciando-se o famoso processo.
A prisão domiciliar não impediu Galileu de continuar escrevendo. No ocaso da vida retornou ao interesse da mocidade, a Mecânica. Nos tempos de Pádua, ele havia estudado os movimentos dos corpos, chegando a conclusões radicalmente opostas a Aristóteles. Este afirmava que todo movimento, para poder se manter, pressupõe a ação contínua e permanente de uma força; Galileu, no entanto, partiu de um ponto de vista diverso, concluindo, após várias observações, que os corpos sempre se mantêm tanto em movimento retilíneo e uniforme como em repouso, a menos que haja uma força ou forças para impedí-lo.
Nessas experiências, ele fazia uma pequena esfera de metal rolar, primeiramente por um plano inclinado, depois através de uma superfície horizontal, para subir, a seguir, por um segundo plano inclinado. Alterando o declive deste último, ele notou que a esfera quase sempre atingia a mesma altura, com pequenas variações causadas pelo atrito. Desta forma, inferiu que, em condições de ausência de atrito, se o segundo plano tivesse inclinação nula, ou seja, também fosse horizontal, a esfera rolaria indefinidamente. Nasceu, assim, o princípio da inércia, que Newton usaria depois na construção de sua teoria.
Na mesma época, Galileu estudou a queda dos corpos, concluindo, mais uma vez em oposição a Aristóteles, que os corpos leves, longe de caírem mais lentamente do que os pesados, como se afirmava, fazem-no com a mesma velocidade. Mostrou ainda como essa queda ocorre, ou seja, apresentando-a como uma relação de proporcionalidade entre o espaço percorrido e o tempo.
As idéias mecânicas de Galileu também foram publicadas sob forma de um diálogo, os Diálogos sobre as Duas Novas Ciências, outra obra-prima, marco inicial da mecânica moderna. Nela, reafirmava a importância do método experimental para a ciência, no qual, formulada uma hipótese, o cientista a evidencia pela realização de experimentos e, somente então, parte para as grandes elaborações teóricas.
Mas em suas especulações no campo da mecânica, a simples observação não era suficiente para se obter o princípio da inércia, por exemplo, que, de certa forma, constituiu a pedra básica da mecânica moderna. Ele não poderia repousar apenas na realização de um ou mais testes e, por isso, Galileu recorreu às "experiências em pensamento". Com efeito, qualquer tentativa de demonstrar experimentalmente o princípio da inércia estará, de antemão, condenada ao fracasso, pois ele ocorre literalmente apenas em condições ideais. No mundo real, o atrito sempre se faz sentir. A experiência em si serve apenas para constatar a validade do princípio; pois, com uma progressiva redução do atrito, a bola percorre um espaço maior.
Foi um processo semelhante que permitiu ao cientista contradizer a afirmação de Aristóteles de que o peso de um corpo influi em sua velocidade de queda. A legendária experiência da torre de Pisa, que lhe é atribuída, na realidade foi realizada pelo aristotélico Giorgio Coressio que, soltando algumas esferas de ferro do alto desse edifício, teria constatado uma queda mais rápida para os corpos mais pesados (o que não é surpreendente, considerando-se as condições em que o teste foi realizado).
A grande contribuição de Galileu, portanto, foi ter dado o devido peso ao papel da observação experimental na ciência. Para ele, a experiência constitui a principal etapa do trabalho científico. Mas é necessário ir mais além, buscando, pelo raciocínio, o caminho que permitirá a generalização das leis empíricas. E foi a aquisição dessa nova maneira de interpretar os fatos que permitiu o nascimento da ciência moderna.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

OCEANOS OCULTOS


20/08/2009
Oceanos podem estar escondidos sob a crosta da Terra.

Um estudo que mediu a eletrocondutividade no interior do planeta indica que talvez haja imensos oceanos sob a superfície da Terra.A água é um condutor extremamente eficiente de eletricidade. Por isso, cientistas da Oregon State University, nos Estados Unidos, acreditam que altos níveis de condutividade elétrica em partes do manto terrestre - região espessa situada entre a crosta terrestre e o núcleo - poderiam ser um indício da presença de água.Os pesquisadores criaram o primeiro mapa global tridimensional de condutividade elétrica do manto. Os resultados do estudo foram publicados nesta semana na revista científica "Nature".As áreas de alta condutividade coincidem com zonas de subducção, regiões onde as placas tectônicas - blocos rígidos que compõem a superfície da Terra - entram em contato e uma, geralmente a mais densa, afunda sob a outra em direção ao manto.Geólogos acreditam que as zonas de subducção sejam mais frias do que outras áreas do manto e, portanto, deveriam apresentar menor condutividade."Nosso estudo claramente mostra uma associação próxima entre zonas de subducção e alta condutividade. A explicação mais simples seria (a presença de) água", disse o geólogo Adam Schultz, coautor do estudo.Mistério geológicoApesar dos avanços tecnológicos, especialistas não sabem ao certo quanta água existe sob o fundo do mar e quanto dessa água chega ao manto."Na verdade, não sabemos realmente quanta água existe na Terra", disse um outro especialista envolvido no estudo, o oceanógrafo Gary Egbert. "Existem alguns indícios de que haveria muitas vezes mais água sob o fundo do mar do que em todos os oceanos do mundo combinados."Segundo o pesquisador, o novo estudo pode ajudar a esclarecer essas questões. A presença de água no interior da Terra teria muitas possíveis implicações. A água interage com minerais de formas diferentes em profundidades diferentes. Pequenas quantidades de água podem mudar as propriedades físicas das rochas, alterar a viscosidade de materiais presentes no manto, auxiliar na formação de colunas de rocha quente e, finalmente, afetar o que acontece na superfície do planeta.E se a condutividade revelada pelo estudo for mesmo resultado da presença de água, o próximo passo seria explicar como ela chegou lá."Se a água não estiver sendo empurrada para baixo pelas placas, seria ela primordial? (Estaria) lá embaixo há bilhões de anos?", pergunta Schultz."E se foi levada para baixo à medida que as placas lentamente afundam, seria isso um indício de que o planeta já foi muito mais cheio de água em tempos longínquos? Essas são questões fascinantes para as quais ainda não temos respostas".Os cientistas esperam, no futuro, poder dizer quanta água estaria presente no manto, presa entre as rochas. Este estudo teve o apoio da Nasa, a agência espacial americana.

O CLIMA EM TITÃ


Estudo publicado na edição desta quinta-feira (4/6/2009) da revista "Nature" revela que os padrões da cobertura global de nuvens em Titã obedecem a modelos climáticos, como ocorre na Terra. O estudo é também o primeiro a oferecer evidência observacional da interação entre marés em Saturno e a atmosfera no satélite.


O FENÔMENO


Observem esta foto com atenção.

Vejam que o sol parece estar mais distante do que normalmente fica.
Quando é que isto acontece?

Que fenômeno é este ?





O que explica isto é sabermos que a foto foi tirada pela sonda Phoenix em 2008 a partir de Marte.

A terra fica a cerca de 150 milhões de quilômetros do Sol e Marte fica a distância média de 230 milhões de quilômetros do Sol.
Em 27/08/2003 ocorreu um alinhamento perfeito, neste dia a terra estava a 152 milhões de quilômetros lineares do sol e Marte estava a 55,76 milhões de quilômetros lineares da Terra.



sexta-feira, 21 de agosto de 2009

TUTATIS


O asteróide Tutatis, uma rocha de quase cinco quilômetros de comprimento, passou perto da terra. Isso ocorreu no dia 29 de setembro de 2004. Vale lembrar que esse “perto” equivale a uma distância de 1,55 milhão de quilômetros, ou seja, quatro vezes a distância da Terra à Lua. Isso não acontecia desde 1353, e não se repetirá até 2652.
Mesmo que essa distância pareça imensa, em termos astronômicos é uma insignificância. Tanto é assim que existe até uma denominação para esses corpos: NEO, sigla de near Earth object (objeto próximo à Terra). Qualquer asteróide que, ao descrever sua órbita em torno do Sol, passar a menos de 45 milhões de quilômetros da Terra (um corpo celeste com órbita entre Marte e Júpiter nunca passa a menos de 150 milhões de quilômetros da Terra) é catalogado como um NEO.

Este NEO foi descoberto em1989 por astrônomos franceses e como dissemos em 29/09/2004 chegou ao ponto mais próximo de nosso planeta, o TUTATIS na verdade passou por onde a terra já havia passado em sua órbita, cruzou nosso caminho depois de já termos seguido adiante. O Tutatis é um NEO perigosíssimo já que suas dimensões com diâmetros de 4,6 por 2,4 quilômetros (comprimento e largura) e velocidade relativa à Terra de 11 quilômetros por segundo, em eventual choque com nosso planeta poderia produzir um cataclisma de extinção massiva da vida e destruição global incalculável. Provavelmente a tragédia seria menor que aquela da aniquilação dos dinos há 65 milhões de anos, visto que aquele NEO tinha dimensões maiores, de 10 quilômetros de diâmetro.


Vejam os efeitos do choque de um asteróide com diâmetro de 1 km e potencialize em seu cérebro o efeito do choque do Tutatis.


1) Tempestade de fogo local e/ou global, ou seja: chuva de dejetos incandescentes oriundos do local do impacto.

2) Terremotos, e/ou erupções vulcânicas.

3) Ondas de choque e tufões arrasadores.

4) Trevas planetárias, podendo durar dias, semanas ou meses.

5) Contaminação da atmosfera com gases tóxicos.

6) Tsunamis

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PLUTÃO - O PLANETA ANÃO


Em 24 de Agosto de 2006 foi definido que um corpo celestial para ser considerado um planeta deve atender aos seguintes parâmetros:

1) Deve orbitar em torno de uma estrela.
2) Deve ter massa suficiente para ter gravidade própria.
3) Deve assumir uma forma arredondada.
4) Deve ser dominante na órbita que apresenta.

Plutão foi descoberto em 1930 por Clyde W. Tombaugh.


Em 1978 foi descoberto o satélite Caronte. Uma série de fotos revelam que sua translação é cerca de 6,39 dias, que parece coincidir com a rotação do planeta anão. Se confirmada, essa coincidência será única no Sistema Solar, ou seja, o satélite nunca nasce nem se põe.Isso permitiu melhores medidas a respeito de Plutão e Caronte após uma série de eclipses entre eles no ano de 1985. Plutão tem um diâmetro de 2360 km e o satelite Caronte tem um diâmetro de 1210 km.

Em 2005 dois novos satélites foram descobertos pelo Telescópio Espacial Hubble, foram batizados com o nome de Nix e Hidra respectivamente. Eles são pequenos, com um tamanho entre 40 a 160 quilometros.

Plutão está normalmente mais longe do Sol, no entanto, devido à excentricidade de sua órbita, vez por outra está mais próximo do sol que Netuno. Plutão atravessou a órbita de Netuno em 21 de Janeiro de 1979 e permaneceu dentro da órbita de Netuno até 11 de Fevereiro de 1999. Este fato só ocorrerá de novo em Setembro de 2226.

Descoberto por Clyde W. Tombaugh
Data da descoberta 18 de Fevereiro de 1930
Massa (kg) 1.27e+22
Massa (Terra = 1 ) 2.125e-03
Raio equatorial (km) 1,137
Raio equatorial (Terra = 1) 0.1783
Densidade média (gm/cm^3) 2.05
Distância média ao Sol (km) 5,913,520,000
Distância média ao Sol (Terra = 1) 39.5294
Período orbital (anos) 248.54
Velocidade orbital média (km/seg) 4.74

07/08/2009 - 08h50
Plutão pode ganhar 30 parceiros com a denominação de Planeta-anão.
O principal responsável por Plutão ter sido rebaixado três anos atrás diz que o ex-planeta já tem muitos companheiros para se juntar a ele, e que ninguém precisa se preocupar com a solidão do pobre astro. Para o astrônomo americano Michael Brown, apesar de oficialmente só existirem quatro outros planetas-anões (atual classificação de Plutão), há centenas a serem descobertos.O próprio pesquisador, que trabalha no Instituto de Tecnologia da Califórnia, diz que há provavelmente 30 objetos já qualificados. Brown descobriu cerca de 20 deles. Os três já ratificados pela IAU (União Astronômica Internacional) são Eris, Makemake e Haumea.
24.ago.06/Reuters
Imagem do telescópio Hubble com Plutão e o satélite Caronte; astro pode ganhar até 30 parceiros na classificação de planeta anão.
O carrascoBrown é apontado como o carrasco de Plutão por ter achado Eris em 2005. Como o novo objeto era o maior dos dois, astrônomos se viram na obrigação de promovê-lo a planeta, ou então de rebaixar Plutão."A segunda coisa era realmente a mais sensata", disse Brown à Folha ontem, antes de apresentar uma palestra na Assembleia Geral da IAU, no Rio. Com a proliferação de novos planetas-anões, que mal começou, ele rejeita o rótulo de culpado pelo rebaixamento. "Se há algum culpado, é Plutão, por ser muito pequeno."Com exceção de Ceres, que fica perto do cinturão de asteroides, todos os planetas-anões oficiais estão em uma faixa orbital chamada cinturão de Kuiper, a mesma região de Plutão. Segundo Brown, só não conhecemos mais planetas-anões porque o céu não foi suficientemente investigado."Nós já cobrimos cerca de 50% do céu, principalmente no hemisfério Norte" conta o pesquisador, que mora numa casa em Los Angeles, a três horas de distância do Observatório Palomar, onde realiza seus trabalhos. "Grandes telescópios que devem ser construídos na Austrália e no Chile sul vão cobrir mais 30% disso", conta.Depois de passar mais de dois anos recebendo mensagens de pessoas descontentes com a destituição do astro, Brown diz que agora o fenômeno arrefeceu. Os devotos da astrologia estavam entre os que mais reclamavam. "Eu dei um bônus para eles", diz Brown. "Plutão não é mais planeta, mas os astrólogos ganharam agora vários planetas-anões com os quais mexer."O maior número de planetas-anões que está por vir, porém, não é do cinturão de Kuiper. Segundo Michael Brown, deve existir uma série de planetas com órbitas alongadíssimas, cerca de vinte vezes mais distantes que Plutão.Um objeto com essas características, batizado de Sedna, foi achado em 2003 por Brown. "Estamos procurando outro assim. É o que mais queremos achar, mas até agora nada."O problema, diz, é que Sedna, que leva 12 mil anos para circular o Sol, só pode ser visto porque está num ponto mais aproximado de sua órbita. Outros planetas-anões de órbita superesticada só poderão ser encontrados por grandes varreduras celestes futuras. "Se esses projetos vingarem, poderemos achar mais dezenas ou até centenas de Sednas."Sem possibilidade de descobrir novos planetas agora, o astrônomo resolveu se dedicar mais a estudar os objetos que já havia apontado.Ontem, Brown apresentou uma palestra sobre o exótico Haumea. Já se sabe que ele é um corpo rochoso ovalado coberto de uma camada relativamente fina de gelo puríssimo. Ele roda extremamente rápido, uma volta a cada 4 horas, e possui duas luas.Brown defende a teoria de que isso tudo é sinal de que houve uma colisão fortíssima que originou seus satélites.Ele explica que Haumea é originalmente o nome da deusa havaiana da fertilidade. No mito, os filhos surgem de pedaços do corpo arrancados da mãe.Estudar crenças de povos tradicionais, aliás, é outra coisa à qual Brown tem se dedicado. Além de ser divertido, diz, é útil, pois a IAU em geral só aceita nomes derivados de figuras mitológicas."Eu me divirto", diz, explicando as origens dos nomes. Makemake, flagrado num dia de Páscoa, ganhou o nome de uma divindade da ilha de Páscoa. Eris, por ser frio e distante, foi batizado com o nome da deusa grega da discórdia, responsável pela guerra de Troia.